Prólogo

     Ao apreciar esta publicação consegui vislumbrar uma cidade em que existe harmonia dos seres humanos com as condições de evolução da natureza. Percebe-se um novo espaço natural entremeado de forma complementar a um modo urbano de viver.

  Esse panorama urbano diferenciado e multidimensional apresentou-se, no sentido físico de olhar, como sendo uma paisagem, espetáculo, um palco vivo, que foi-se transformando, gradativamente, potencializando momentos decorrentes de um padrão vibratório de origem ecossistêmica, envolvendo meu corpo, todo meu Ser, enlevando-me a um modo de ver, e de olhos cerrados, enxergar, perceber pelo sensorial espetáculo, um palco vivo, com a natureza endeusando o panorama encantado, divinizando com suas águas, a diversidade, os seres.

    Passei a antever a evolução que vem sendo alcançado pelo propósito de atuarmos em colaboração com a natureza, pelo correto e condizente alcance da capacidade inteligente e base de realização do nosso caminho evolutivo, em constante superação rumo a um modo fraternal de agir, convivendo e protegendo os demais reinos ao amadurecimento intrínseca do ser humano, dedicando-se com atitudes preventivas, proporcionando um modo sustentável de conceber o espaço urbano, dialogando com a natureza e cooperando com os ambientes hídricos.

     De um novo modo de conceber o urbanismo, que leva a intuir, a existência de um padrão elevado para o modo de “planejar uma cidade”, com as mentes atuando em conjunto, exercitando, complementarmente um modo de “pensar com os outros” realizando uma parceria criativa e cooperativa transdisciplinar, com pluralidade institucional, e em diálogo com os ecossistemas, em especial com os padrões dos fluxos próprios das dinâmicas das águas. Dessa forma ampliam-se as possibilidades de “comPensar” os danos e reconciliarmo-nos com a natureza e o “bem comum”, evitando os modos de agir fragmentados e insuficientes, que demonstraram serem causadores de disfunções, danos ambientais de difícil restauração e deterioração da saúde ambiental, que resultam em necessidades de remediações, reabilitações de diversas naturezas para restauração dos espaços urbanizados/antropizados, de modo que os aproximem das condições previamente existentes.

   A visão inovadora para a região decorrente da adoção sugerida dos conceitos das “Cidades Sensíveis à Água”, possibilita que haja a integração das ações e cooperação entre os agentes, as instituições e as populações envolvidas, numa complementaridade criativa e inteligente que propicie o alcance de áreas urbanas socialmente e ambientalmente saudáveis. Ficou patente a necessidade de revisão na forma isolada de realizar urbanismo, “de explorar, de conquistar e de aproveitar” os espaços do modo que se fazia no passado, como se fossem territórios que deveriam ser ocupados subjugando-se natureza. Os novos níveis de realidade e as abordagens de planejamento urbano progrediram, inspirando, na Austrália, a incorporação da estratégia associada às ‘Cidades Sensíveis às Águas’ e influenciaram novas concepções, como as ‘Soluções baseadas na Natureza’ e outras atualmente, centradas no sentir e estar em ‘Sintonia com a Natureza’, que reverenciam as realidades hídricas e ambientais, ampliando níveis da consciência, discernimento, ética, cidadania e justiça social. 

   Esta publicação apresenta argumentos e contribuições consistentes e robustas para as soluções e componentes que podem oferecer segurança hídrica às regiões, áreas de elevada sensibilidade hídrica, de recargas e de nascentes, e que, mesmo detendo elevada riqueza ecossistêmica, ocorre a insistência do Poder Público e Setor Privado em considerar como sendo passíveis de expansão urbana e ocupação humana, apesar do altos riscos e de aprofundamento da escassez hídrica local e global. 

     O conteúdo do livro apresenta soluções práticas e factíveis para tornar adequadas as áreas destinadas a loteamentos urbanos adequadas. Um primeiro passo é o de evitar a adoção dos denominados sistemas de drenagem ‘convencionais’ (tradicionais) que alteram a dinâmica natural dos cursos d’água, causando danos físico-financeiros à população, distanciamento e elevado descompromisso em relação à “cidade ideal desejada” e ao bem comum. 

     O segundo passo é a adoção preventiva das diversas opções que são utilizadas em várias cidades do mundo, tais como áreas verdes com manutenção do fluxo de drenagem, trincheiras e valas de infiltração, pavimentos permeáveis, os poços de infiltração, os jardins de chuva, os canteiros de vegetações nativas em níveis ligeiramente inferiores aos das calçadas, vias, e ruas, oferecem jardins multicoloridos, um panorama de encanto a população, realizam a detenção de água da chuva, a permeabilidade planejada que proporcionam perenidade na oferta de água de qualidade às nascentes. 

   Tais passos levam a alcançar “espaços de viver em plenitude”, respeitando missões, aperfeiçoando os serviços ecossistêmicos, mantendo os sistemas com facilidade e a baixos custos, favorecendo cooperação local e o alcance da habitação humana saudável. 

  A apreciação do livro elevou-me a uma realidade superior encantando-me com a criação de um palco ecossistêmico e habitats que a cidade, em sinergia, cooperação e harmonia com a natureza ofertou. Tenho certeza que, assim acontecerá com os leitores desta obra de arte. 

Demetrios Christofidis 

Doutorado: “Gestão Ambiental e Gestão Sustentável das Águas” – Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. Pós-Doutorado: “Das Soluções baseadas na Natureza para Manejo Sustentável das Águas Pluviais e Gestão das Águas em Sintonia com a Natureza” – Programa: Água, Ambiente e Saúde – Escola Nacional de Saúde Pública – FIOCRUZ, Rio de Janeiro.


LINK PARA O LIVRO COMPLETO: https://1drv.ms/b/s!ArO9up41Y7-0yw9c8uTseNFxlpR1?e=mprCPg