RESUMO

Esta pesquisa trata do tema da relação entre processos de expansão urbana e a proteção do meio ambiente, com recorte na questão da drenagem e produção das águas com adoção de padrões de Infraestrutura Socioecológica em tempos de crise hídrica, tendo como estudo de caso o Trecho 2 da Etapa 1 do Setor Habitacional Taquari - SHTQ, também conhecido como Serrinha do Paranoá, em Brasília. No contexto urbano, a ocupação de áreas de reserva de aquíferos tem desenhando o problema da escassez hídrica pela diminuição das águas originalmente produzidas pela vegetação nativa para os corpos d’água. Assim, a pesquisa tem como objetivo analisar de que forma os processos de expansão urbana, praticados em tons neoliberais, impactam a questão da drenagem em um contexto de financeirização da habitação. A motivação é justificada pela lacuna nas pesquisas no que diz respeito a relacionar a crise hídrica com as formas de crescimento da cidade. Utilizou-se o alinhavo metodológico da dialética de Lefebvre, aquela que estuda os fenômenos por meio das suas contradições internas, abordando o desenvolvimentismo face aos seus impactos e implicações sociais e ambientais, assim como as possibilidades de resiliência urbana face às possibilidades baseadas na natureza. A análise dos procedimentos para o estudo de caso foi feita com emprego da Abordagem dos Sistemas Socioecológicos, aquela que identifica como as interações entre o homem e o meio ambiente impactam os recursos naturais. Tendo em vista que as maneiras de expansão da cidade podem acarretar mudanças que alteram as respostas hidrológicas das bacias, como o aumento na vazão de pico, a análise busca a abordagem de dois preceitos: a drenagem convencional que prioriza o rápido afastamento das águas residuais urbanas por dispositivos tradicionais como bocas de lobo, galerias e canais, e a drenagem com soluções baseadas na natureza. Desta forma, a presente pesquisa busca analisar os impactos causados pelo aumento da vazão máxima do escoamento superficial a partir de formas de ocupação urbana que não têm favorecido o fluxo das águas, abrindo espaço para as oportunidades da Infraestrutura Socioecológica, balizadas pelas atividades da comunidade organizada em movimentos sociais ambientalistas que atuam na região. Os resultados apontam que a expansão urbana está associada a um aumento no escoamento superficial de até 217 % na vazão máxima pelo cálculo simplificado e de até 675 % na mesma análise feita com o modelo SWMM. Por sua vez, ocorreu um decréscimo de 99% na vazão máxima de escoamento caso a urbanização seja feita com biovaletas. Tal diminuição na vazão máxima de escoamento com relação ao emprego das soluções convencionais demonstra a eficiência das soluções baseadas na natureza como forma de minimizar os impactos associados à ocupação urbana no âmbito da drenagem. O estudo revela um processo complexo que relaciona a expansão urbana em moldes neoliberais com práticas urbanas que não priorizam a inclusão social e a proteção do meio ambiente.

Palavras-chave: Água. Expansão urbana. Drenagem. Infraestrutura socioecológica.

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