31 Jul
31Jul

 O rio Avelames é, de certo modo, uma parte do parque das Pedras Salgadas; contorna-o, confere-lhe uma forma e uma fronteira e abraça-o. A requalificação das suas margens – feita com a cooperação de um arquitecto paisagista e de um engenheiro hidráulico – propôs tornar o percurso do rio mais orgânico e, mediante a criação de diques, suprir a falta de água na época estival, que seca o seu leito. Assim, as margens do rio deixaram de ser uma imposição resultante do encontro da água com o terreno circundante. O canal, que corria essencialmente a direito, passou a serpentear, moldando-se à imagem de uma cobra em movimento. Foram igualmente construídas pontes para que o percurso não fosse ditado pela existência de uma única forma de atravessar o rio e o que antes era um obstáculo, foi transformado numa possibilidade de usufruto. 

A criação de lugares de travessia fez do caminho um passeio. Zonas de estar, de praia e pequenos embarcadouros pontuam as margens do rio, para fruição dos locatários do parque e da população da vila. A ideia que preside a todo o conceito, é resgatada da época do romantismo termal: famílias dispondo comida sobre impecáveis toalhas de linho branco, uma criança aprendendo a remar num pequeno barco amarrado à margem com uma corda, um par de banhistas adolescentes e ruidosos competindo pela chegada a uma meta imaginária.


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